Ei! Você!

Não adianta ficar aí fingindo que nada está acontecendo. Você com a sua blusa cinza, seu cabelo um tanto quanto bagunçado e com fones. Você só sabe sorrir tentando me enganar. Olha para baixo fingindo que está lendo algo importante no celular, mas olha, nós estamos em um local cheio e seu celular está bloqueado.

Nós já nos olhamos há segundos atrás. Isso não me parece tão constrangedor assim.

Dessa vez, você é quem olha para cima rápido e sorrindo, eu tento desviar minha atenção para a falta de espaço que faz com que a gente se afaste.

Agora só nos resta a janela. Ela não me parece tão mal assim. Acho que agora, você me entendeu. Ou talvez, eu que não tenha te entendido. Peço desculpas por isso, então.

Passamos minutos nos encarando só por uma janela que refletia nossos rostos. Um sorrindo para o outro esperando que algo acontecesse ali. Pelo visto, nenhum dos dois é forte o suficiente para quebrar o silêncio e os sorrisos. 

Faltava mais um pouco e mesmo desejando que você não desça, e há horas atrás eu não me via em outro lugar além da minha casa, me arrastei pelo pouco espaço que ali tinha e desanimada apertei o botão. Eu queria continuar ali, era isso. Olhei para trás e você me olhava.

Era aquilo.

Mas não tinha problema. Mesmo que eu ainda pense em você e nesse dia nenhum pouco constrangedor. Quero dizer que mesmo que a gente possa se ver, espero que isso não aconteça. Foi singular, único, especial, mas sem mais encontros. 

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