Enquanto eu roubava alguns pedaços de bolo e lambuzava minha cara deixando um pouco de chocolate cair no seu contato de meu celular, a campainha tocou. Achei por um momento que fosse você, meu coração parou, meu sonho Francês com La vie en rose começou a tocar de fundo, seu sorriso apareceu em minha mente e todo aquele momento de filme clichê e enjoado foi estragado por um pequeno toque de realidade. Este então era chamado de "Mamãe". A tal moça que abriu a porta e viu que era engano.

Desisti de encarar sua foto no perfil, pensei em mil formas de iniciar uma nova conversa. Talvez falar sobre a cor do pássaro que vi esses dias, você por vez, iria rir da minha cara, e eu, mesmo não estando aí, poderia ver seu sorriso, sentiria ele. Meu coração pararia mais uma vez e talvez, a música seria "My Girl", me lembraria também do casal mais fofo da televisão, e me tocaria que nunca poderíamos ser como eles, desculpa por me decepcionar todos os dias com essas bobeiras.

Nessas aí, no meio dos meus chocolates, me veio a memória um dia que jurei para um de meus amigos que desistiria de você. É, eu ia mesmo! Mas eu acho que precisava de um tapa na cara para fazer isso, afinal, eu não fiz. Ah! Quer saber? Nem sei se vou fazer!

Por que não me deram um tapa na cara? Agora eu to ouvindo "Eu amei de ver" e pensando que esse é o problema, te ver!

Quando achei que fosse sair dessa... Chutar o famoso balde que tanto falam. A campainha tocou novamente, meu coração apertou, minha vida se passou por um segundo, comecei a suar frio só pensando na hipótese de ser você. Mas lembrei que você nunca tocou nessa campainha antes, não seria nessas circunstâncias que você tocaria. Todavia, pensar na possibilidade de ser você, me deixa animada, me faz pensar em você com uma caixinha de som tocando "Don't you forget about me" e nós dois saindo juntos imitando a última cena de o Clube dos cinco enquanto Jim Kerr canta "La la la la".

No final das contas, me conformei com o carteiro acabando com todo o nosso abstrato.

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