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Eu gosto de aniversário. Gosto tanto que chego a sorrir com a possibilidade de ficar mais velha. Sempre vi na idade superior uma nova chance para a vida, uma nova chance para conquistar mais coisas e chegar cada vez mais perto de meus sonhos. Então o fato de fazer aniversário nunca foi o problema. O problema está no que vem junto.

Quando eu era menor, eu amava fazer aniversário. Amava divulgar para todo mundo, amava receber parabéns e mais ainda, amava ganhar os presentes que eu sempre quis. Sendo sincera, a única coisa que eu não gostava era a parte do “Com quem será?”. Nunca entendi a necessidade. Mas enfim, acho tão lindo quando somos crianças e tudo parece mais mágico, encantado. Infelizmente as coisas mudam e a realidade vai batendo. Por isso acredito que nós temos que ser crianças em alguns momentos. Faz bem, sabe.

A verdade é que todas as datas festivas são especiais quando tem uma criança envolvida, o triste é que nem sempre é você a criança. Então entendo que eu não poderia voltar no tempo, passei a aceitar a realidade e de certa maneira, passei a me encantar por ela.

Só que eu ainda tenho um problema com os aniversários. Eu acho tudo tão obrigado, pelo menos na parte familiar. Lembro que em algum aniversário meu, minha tia não me ligou e eu sinceramente, não me importei. Mas minha mãe sim. Nossa! Minha mãe fez questão de falar sobre isso por vários dias até que ela finalmente se convenceu de que não valia a pena. “Nossa, a própria madrinha não ligou. Acho isso horrível!” Ela dizia. Mas não seria mais triste ouvir alguém falar: “Hoje é o aniversário da Cecília, tenho que ligar.” Por favor, você não tem que ligar coisa nenhuma, não se sinta obrigado. Se não for pra ser natural, que não seja. E por favor, não achem que pra mim todos os festivos que eu recebo eu considero como algo sob pressão, na verdade, acho lindo e fico encantada quando chego a um lugar e alguém vem correndo me dar parabéns. Isso eu considero natural.

Também acho engraçado como a família do nada fica mais carinhosa. Teve um ano em que algumas pessoas da minha família estavam em crise umas com as outras e nos aniversários elas pararam todo o ódio para desejar tudo de melhor e dizer que nós merecíamos todo o amor do mundo. No dia seguinte, tinha alguém querendo se emancipar. É um fato bem engraçado e, seria mais se não fosse verdade. Ao mesmo tempo é bonito. Será que é nesse dia festivo que as pessoas mais tímidas decidem declarar seu amor pela outra de uma forma mais cautelosa? Vou perceber e ano que vem conto para vocês.

Incomoda-me muitas outras coisas no aniversário. Não me entenda mal, eu amo A-M-O, assim, soletrando todas as letras mesmo, eu amo receber presente de aniversário. Acho que é um dos melhores momentos, não tenho medo de reconhecer que uma das minhas partes favoritas no meu dia seja essa, o instante em que alguém me trará algo especial em um embrulho bonitinho é quase um sonho. E quando o papel de presente é de algum desenho da Disney? Não preciso nem comentar que meu coração bate até mais rápido, né?! Todavia, penso que isso não é tudo e o que eu acho mais engraçado é o fato das pessoas em minha volta acharem. Se eu não receber nada, somente umas “Felicidades, que Deus te abençoe!”, eu não sou nem religiosa, mas eu sei que vai ser de coração e sendo clichê ou não, nenhum dinheiro compra isso e eu só fui entender quando algumas coisas ficaram mais apertadas que outras e meus pais não puderam me dar um presentão de dia das crianças. Foi lá que eu pensei que o meu presente era ter eles e nada material conseguiria entrar em seus lugares. Então, família, desculpa pela sinceridade, mas não é o novo batom da Avon que vai me fazer amar mais vocês, assim como não são os “Parabéns” que vão me fazer amar menos. O presente não compra amor, desculpa, mas não compra. E que bom, né?!

Agora, acho que não tenho mais o que dizer. Eu posso aproveitar ainda, aproveitar as últimas horas que restam de meu dia, e sinceramente, elas vão ser tão belas quantas outras independentemente de ter presente ou de ter ligação. De ter “Parabéns” ou “Deus te ajudará por mais uns anos.”. Minha família não entende, mas eles são especiais do jeitinho que são.

Desejo boa sorte a mim mesma que enfrentará mais um pouco da vida - espero que eu enfrente muito – e desejo boa sorte a minha tia que ainda não me ligou e provavelmente vai ouvir minha mãe falando em seu ouvido. Boa sorte, de coração, tia. 


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