The Handmaid's Tale | A série que você não está assistindo, mas deveria

22 de jan de 2018
Foto: facebook.com/hulu
Oi pessoal! Tudo bem com vocês?

Bom, vamos começar pelo começo. Meu nome é Thalita e, como muitos de vocês já sabem, eu sou umas das novas colaboradoras do blog (para saber mais sobre as colaborações clique aqui).  Uma vez por mês estarei aparecendo por aqui pra falar sobre alguma série (ou algumas). Estou bastante animada por fazer parte do blog a partir de agora e espero que vocês também gostem. 

Então, para o primeiro post dessa colaboração a série escolhida foi The Handmaid's Tale. E preciso dizer... QUE SÉRIE!

The Handmaid's Tale, ou O Conto da Aia, é uma série original do Hulu, um serviço de streaming semelhante à Netflix (infelizmente ainda não disponível no Brasil), baseada no livro de 1985, de mesmo nome, da autora canadense Margaret Atwood. Ela também é autora de outros livros como Vulgo Grace, que acabou se tornando uma minissérie original da Netflix também em 2017, com o seu título original em inglês, Alias Grace.


A primeira temporada, de 10 episódios, estreou no Hulu em 26 de abril de 2017 e tem como cenário a República de Gilead, um governo teocrático totalitário que agora existe no lugar dos Estados Unidos da América. Nesse novo modelo de governo as mulheres perderam seus direitos sociais e são separadas em diferentes categorias. Devido a um problema de fertilidade enfrentado em todo o mundo, as mulheres que já tiveram filhos ou que são capazes de tê-los, se tornam as handmaids ou, em português, aias. Elas são obrigadas a servir famílias da elite dessa nova estrutura social e todo mês são estupradas por seus respectivos "comandantes", durante o que eles chamam de cerimônia, que tem, segundo eles, uma base em uma parte da Bíblia. Quando elas engravidarem, irão amamentar a criança e então serão mandadas para outra família. Essas mulheres perdem os seus nomes e passam a ser chamadas de "Of + o nome do comandante" (o que em português basicamente é "Do fulano"), como é o caso da protagonista, que se chama June, mas é chamada de Offred, já que Fred é o nome do chefe da família à qual ela serve. E já que a lógica é essa, o nome delas muda quando mudam de família. De modo que elas literalmente pertencem a eles.

"Agora eu estou acordada para o mundo. Eu estava dormindo antes. Foi assim que deixamos acontecer. Quando eles fecharam o Congresso, nós não acordamos. Quando eles culparam os terroristas e suspenderam a Constituição, nós também não acordamos. Eles disseram que seria temporário. Nada muda instantaneamente. Numa banheira que aquece gradualmente, você iria ferver até a morte antes de perceber."

Foto: vanityfair.com
Na foto acima, podemos ver como a separação das mulheres se dá a partir das roupas. As aias se vestem sempre de vermelho e usam essa touca branca (também usam um chapéu que cobre a visão periférica). As esposas dos comandantes usam azul e as Tias, que são responsáveis pela educação e o "gerenciamento" das aias, usam marrom. Também existem as Marthas, que são mulheres que não são férteis nem casadas, elas geralmente são empregadas e usam, na série, uma cor meio bege.

A série acompanha a história de June, que foi separada de sua família durante uma tentativa de fuga, na qual ela e sua filha são capturadas pelo Estado e separadas de seu marido, Luke. June é então enviada à uma "academia" onde as aias são instruídas pelas "Tias" sobre seu novo papel na sociedade, seu "dever divino". Nesse lugar acontece praticamente uma lavagem cerebral e não há espaço para atos de rebeldia, assim como em toda a República de Gilead.

Durante toda a série nós vemos os acontecimentos do "presente", mas também acontecem vários flashbacks de como a vida era antes de Gilead ser estabelecida. Podemos ver como as coisas foram mudando e como tudo aconteceu, o que eu particularmente achei um ponto muito interessante, já que na maioria das distopias não há essa explicação de como tudo acabou tão mal. E também nos aproxima da história, porque olhando para Gilead, a impressão que temos é de que estamos muito longe dela, temporalmente falando, mas os flashbacks nos mostram que a realidade que nós conhecemos hoje foi eliminada em pouquíssimo tempo.

Foto: cosmopolitan.com
Outro recurso que torna tudo mais pessoal e íntimo é o fato de podermos ouvir os pensamentos de June e aí conseguimos captar toda a revolta e angústia que a personagem passa, e dá muito mais profundidade pra ela. A atuação de Eizabeth Moss também é um ponto chave na construção de June. Ela é muito expressiva, entrega muito com o olhar, o que é essencial já que no estado em se encontra, June não pode falar abertamente. Moss nos envolve tanto na situação da personagem que em uma cena específica (não irei dar spoilers), eu me senti presa e claustrofóbica, uma angústia que a personagem estava passando, mas que eu como espectadora também consegui sentir. Elizabeth está levando todos os prêmios da temporada de premiações, inclusive um Emmy e um Golden Globe de Melhor Atriz em Série de Drama.

Todo o elenco, na verdade, é muito forte. Ann Dowd, por exemplo, no papel de Tia Lydia, está sensacional, o que inclusive lhe rendeu um Emmy de Melhor Atriz Coadjuvante. Outra atriz que me surpreendeu na série, foi Alexis Bledel, a Rory de Gilmore Girls. Ela faz participação em alguns episódios e também ganhou Emmy. Não quero falar muito sobre a personagem pra não dar nenhum spoiler, mas posso dizer que ela tem cenas em situações muito complicadas, que exigem muito, e não decepciona.

Foto: npr.org
Vamos falar um pouco sobre o visual maravilhoso dessa série. A fotografia é incrível, e ela muda entre os acontecimentos presentes e os flashbacks. Durante as cenas do presente, tudo é um pouco apagado, não se tem muitas cores além das roupas das mulheres, o vermelho das aias principalmente se destaca muito nos cenários. Tem uma cena no último episódio da temporada no qual fica clara essa diferença de cor entre elas e o resto da composição (uma das minhas cenas favoritas da série inteira, com certeza). Além disso, vemos muito cinza, branco, verde, nada que se destaque muito. Nas cenas dos flashbacks, as cores são mais vivas, é tudo mais claro. Em toda a série, eles usam muitos recursos de luz, reflexos, contra luz.

Deixando todos esses aspectos técnicos de lado, a série é incrivelmente perturbadora, mas por ser extremamente possível. E mais ainda por sabermos que coisas assim já aconteceram e ainda acontecem em muitas partes do mundo. A autora do livro, diz que não queria colocar nele nada que já não havia acontecido em algum momento da história. Mas a visão de um Estados Unidos sendo derrubado, para nós, é impactante, já que nós temos contato com esse país a todo momento. Diferente de muitas distopias populares, The Handmaid's Tale é muito próxima a nós e essa proximidade é assustadora, mas também um pouco necessária.

A série fez muito sucesso durante o ano de 2017, inclusive levando vários prêmios, e foi renovada para um segunda temporada, que vai estrear no Hulu em abril e já ganhou um pequeno trailer (que você pode ver clicando aqui, mas já aviso que tem spoilers da primeira temporada nele). Tanto sucesso também garantiu à série uma transmissão oficial aqui no Brasil, que será feita pelo Paramount Channel. Eles compraram os direitos de exibição da série e a primeira temporada estreia em março no canal.

Então galera, esse foi o meu primeiro post aqui no blog, espero que tenham gostado, ainda estou tentando descobrir o melhor modo de falar sobre as séries aqui. Deixem seus comentários, o que acharam do post, o que acharam da série (mas lembrem-se, se foram dar spoilers, avisem, não vamos estragar a experiência do coleguinha) e também deem sugestões de séries e de como posso melhorar os posts pra vocês!


19 comentários:

  1. Eu AMEI a postagem! Deu uma curiosidade enorme de ver, o jeito que vc escreve cativou muitooo! E deixa eu fazer uma pergunta... A serie fica muito parada ou todo episódio é uma emoção maior?

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    1. Obrigada!!! Realmente você precisa ver a série. A cada episódio você se surpreende mais (e fica mais revoltada) e aí você simplesmente precisa ver o próximo!

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  2. Olá! Bem-vinda!
    Menina, já queria ler o livro, agora quero ver a série também, pena que não tem na Netflix. É uma série bem impactante, pelo que li. As personagens se encontram em uma situação extrema, que angústia. Gostei sobre o aspecto das roupas, poderíamos até fazer uma análise disso, né? Deu pra sentir um pouco do impacto da série e da história só pela sua resenha, que ficou linda e bem escrita, bem detalhada, com fotos. Amei demais.
    Beijos

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    1. Oi Mirelle! Obrigada!!
      Já eu fiquei com muita vontade de ler o livro depois de ver a série. Realmente é uma pena não ter na Netflix, eles perderam uma oportunidade e tanto quando recusaram produzir a série, mas não sei se o resultado ficaria tão bom quanto fico com a produção do Hulu. Fico muito feliz que tenha gostado da resenha!! Tentei passar os aspectos que me fizeram gostar tanto da série!
      Beijos!

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  3. Oii Thalita. Eu amei esse post e uma das minhas leituras do ano com certeza vai ser O Conto da Aia. Sobre a serie fico sem previsão de assistir, as por todos os elogios bate aquela ansiedade. Amei seu texto. Muito bem construído.
    Beijos.

    Blog: fanficcao.wordpress.com

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    1. Oi Jessica!! Obrigada, fico feliz que tenha gostado!! Depois me conta sobre o livro, também estou com muita vontade de ler! Sei que é difícil arrumar um tempinho pra ver séries, mas essa vale a pena com certeza!!
      Beijos!

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  4. Este comentário foi removido pelo autor.

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  5. Amei o post!!!!! Essa série é sensacional! Julgo até melhor que o livro, já que durante a leitura eu fiquei meio confusa e acaba de uma forma que não temos muitas respostas, porém fiquei muito feliz que na série vamos ter.

    Beijos!!
    Cores Literárias

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    1. Oi Iris! Obrigada! Ainda não li o livro, apesar de querer muito. Também fiquei muito animada em saber que a série vai explorar além do que já foi feito no livro!!
      Beijos!

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  6. Olá, tudo bem?
    Eu não assisti a série ainda, comprei o book para ler, mas ainda não tive tempo. Minha amiga disse que ele é um pouco lento, mas estou empolgada em ler. Obrigada pela indicação.
    Espero ver mais posts seus
    Bjs

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    1. Oi!! Tudo bem sim, e aí? Bom, a série é incrível, o livro eu já não sei, mas quero muito ler!!
      Vamos ter mais posts todo mês, espero te ver por aqui também!
      Beijos!

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  7. Oii, que série. Ainda não conhecia e adoro quando os livros originam séries. Achei o enredo maravilhoso e os recursos visuais ainda mais. Fiquei bem curiosa pata saber mais, afinal quando a série recebe muitos elogios é sempre bom darmos uma chance né!!
    Beijos

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    1. Oi!! Realmente, que série! O enredo é incrível e os recursos visuais então, maravilhosos! A série está sendo muito falada, dá aquela curiosidade mesmo. Dá uma chance e depois me conta!
      Beijos!

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  8. Olá, tudo bom?
    Bem vida Thalita! HEHE A resenha está muito boa! Essa série é bem falada, assim como o livro. Eu tenho vontade de ler e assistir, mas acho que no momento não estou no clima para uma série com um contexto social do tipo.
    O elenco está ótimo, cheia de ganhadores de prêmios.

    Beijos, Ally.
    Amor Literário

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    1. Oi Aline! Tudo bem sim, e aí?
      A série é muito boa, mas realmente a temática é um pouco pesada...
      O elenco é incrível, de verdade!!
      Beijos!!

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  9. O, tudo bem ?

    Confesso que andei um pouquinho perdidinha da séries devido a estar colocando os files e leituras em dia, mas fiquei passada lendo este post...que série arrasadora. Com certeza uma ótima dica de série, única e forte.

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    1. Oi, tudo bem sim, e com você?
      Comigo tem acontecido o contrário, deixei de lado os livros pra atualizar as séries. Realmente, o enredo é muito impactante! Dá uma chance pra ela!!
      Beijos!

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  10. Oiee
    Bem vinda ao blog! Eu ainda não vi essa série mas quero muito, mas primeiro preciso ler o livro kk espero gostar tanto quanto você, adoro estórias de época. Amei o post.
    Bjos, Bya! 💋

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    1. Oi Bya!! Obrigada!
      Leia o livro e assista a série!! Espero que também goste! Fico feliz que tenha gostado do post!
      Beijos!

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