Uma carta de amor para... Você!

1 de jan de 2018
Foto: Cecília Justen

Isso é algo sincero e se sinceridade matasse, eu estaria morta, mas eu seria uma morta feliz.

Quando acordei, pensei em dar "Feliz Ano Novo" para várias pessoas, talvez até contar para elas sobre algumas metas de 2018, mas além das piadinhas de 1 de Janeiro que nunca me conquistaram estarem tomando conta do mundo, eu, com certeza, não fiz metas para 2018, não faço mais. Então, por algum motivo, comecei a lembrar sobre a noite anterior e seu estilo melancólico que toda véspera de ano novo carrega.

Na noite passada, eu achei uma preciosidade no meio dos meus livros, um esconderijo que eu amo. Vou fingir que esse achado não foi proposital e vou dizer que: Ano passado queria queimar. Essa preciosidade é um papel, uma carta em um papel, uma carta para mim. Escrevi ela há um ano e a história de queimar não é muito legal, porque em algum momento do ano passado, eu queria queimar tudo, toda uma história, isso, supostamente, deixava tudo mais fácil. Enfim, não queimei nada e agradeço eternamente por isso, porque entendi, finalmente, que algumas coisas a gente não pode esquecer por que o que nós somos agora tem haver com quem nós fomos, o máximo que eu poderia fazer, e escrevo que fiz, era entender que eu mudei e isso é muito melhor do que esquecer. Escrevendo assim parece até que foi fácil, mas ano passado foi bem (bem) difícil, felizmente eu estou aqui, escrevendo essa sinceridade para vocês. De algum modo nessa confusão toda, eu me perdi, e uma vez ouvi que "nunca entendi tanto a mensagem de trás do caminho 'não me siga, estou perdido", eu estava perdida e não achei que fosse me encontrar. Então comecei a pensar em algumas coisas, em quem eu era, em quem eu fui, em quem minha essência dizia que eu era e quem eu estava sendo, para assim, entender, em quem eu iria me tornar. Com muita vontade de ler a carta antes da hora, quase acabei com meu desafio do ano passado "eu prometo que irei ler isso daqui a um ano no mesmo lugar que escrevi". Não prometo muitas coisas, mas gostei de ter prometido isso. No final não li e acabei pensando em algo melhor perto da véspera do ano novo, comecei a entender o que eu sentia.

Foi aí que percebi que gosto das peculiaridades e da simplicidade humana. Parecendo clichê ou não, a melhor parte da vida que eu já conheci foram as pequenas coisas, os detalhes que quase ninguém vê. Tipo a sensação da maresia, o gosto de um morango azedo (amo!), a chuva caindo no meu corpo quente, uma criança brincando, meu pai roncando, minha mãe xingando, minha irmã amando e eu, um ser humano, um ser vivo, um ser que consegue realizar algumas ações sozinho, um ser independente de certo modo, um ser que respira, um ser que se move, um ser que sente dor, um ser que tenta procurar felicidade no meio da tristeza, um ser que como outros vive no universo, na imensidão preta, pelo menos é assim nos filmes. E o que eu mais gosto nisso tudo é que apesar de estar escrevendo isso em uma plataforma digital e existir a chance de explodir a qualquer momento, eu tenho tudo o que eu sinto e sou dentro de mim, pelo menos por agora, afinal, muitas coisas irão acontecer. Mas ainda sim, sei meus gostos, minhas dores, meus pesares e alguns detalhes bizarros.

Coisas que eu sei sobre mim:
1. Eu trocaria tudo nesse mundo para simplesmente poder sentir a brisa do mar, o vento gelado que ele carrega e cheirar o salgado que o mar porta;
2. Pele. Pele arrepiada é uma das peculiaridades que eu carregarei para sempre. Acho fascinante ver uma pele se arrepiando por nada. Mesmo triste a pele é tão brilhante que me encanta;
3. Não gosto de contato físico, não sou muito de agarração e pessoas me incomodam em boa parte do tempo, mas eu amo ver gente, amo ver suas ações e suas estranhezas, amo ver seus sorrisos, seus olhares, seus contatos, seus jeitos de andar e falar;
4. Amo flertar também, daquele jeito simples, só com olhares sorridentes e lábios que se abrem em um sorriso brilhante. Esse flerte precisa ter uma conversa sobre a vida, sobre qualquer coisa que mostre algo profundo da pessoa que ela libere sem ao menos perceber;
5. Sobre o mundo: Eu amo o anoitecer, o amanhecer, a noite, as estrelas e os significados que eu mesma invento para elas. Uma vez eu não dormi, várias vezes eu não dormi (sendo bem sincera), mas dessa vez eu não dormi porque queria ver as etapas de um dia, nesse dia eu não pensei, mas eu senti e foi ali que eu decidi que as sensações são muito mais agradáveis que os pensamentos de como algo pode ser realmente bom. Algumas coisas que não podemos provar podem ser as mais verdadeiras e reais do mundo;
6. Eu sei outras coisas também, como minha imaginação fértil que é capaz de imaginar algo acontecendo com uma pessoa ou objeto e terminar rindo sozinha, mas algumas coisas ainda merecem o silêncio na minha vida.

Foi fazendo isso, uma lista imaginária que se tornou mais palpável por causa dessa postagem, foi lendo livros que eu nunca imaginei ler, desde a coletânea de contos do Edgar Allan Poe, Hemingway e as irmãs Brontë até as obras com um tom mais sexual ou mais adolescente (aquelas típicas histórias que eu resenhei para vocês), foi chorando, foi berrando, foi entendendo que está tudo bem mudar as coisas e, foi isso que eu fiz no final, mudei as coisas. A mudança é incrível, sabia?!

E eu sei que eu não vou estar sempre de bem com a vida, até porque isso seria bem chato, principalmente para mim que adora um conflito para balançar um pouco o astral. Eu sei que muitas coisas vão acontecer e sei que não estou preparada para elas, mas existe uma sensação, existe uma pressão que corre pelo peito que vai te dando ansiedade, que vai te dando alegria e vai mostrando uma felicidade surgindo que aos poucos vai se espalhando pelo corpo. Essa felicidade, apesar dos pesares, não morre, eu entendi que às vezes eu me esqueço dela.

Esse ano também (avisei que muitas coisas tinham acontecido), ouvi muitos conselhos de pessoas que nunca tinha visto na vida, uma pessoa chegou a me falar que eu deveria parar de ter medo e converter todo o meu pavor em palavras, eu não sei se essa pessoa sabia que eu quero ser escritora, mas aquilo me fez um bem danado. Esse ano foi narrado pelo medo, pela vergonha e por muitos sentimentos obscuros que eu nem conhecia, mas isso tudo se transformou em aceitação, aceitação que de algum modo (como essa pessoa que me deu conselhos) quero transmitir para vocês.

Agora eu, você, todos nós temos 365 dias pela frente, 365 dias para recomeçar, para errar, para amar, para odiar, para chorar lágrimas que ainda não choramos, para acreditarmos, para... Vivermos. É tudo tão incerto daqui para frente, mas temos tempo, temos muito tempo, só precisamos aproveitar ele.

Enfim, como escrevi, poderia estar desejando um "Feliz Ano Novo", poderia estar comentando sobre minhas metas, poderia estar falando sobre como a vida é maravilhosa, mas nesse aspecto, eu com certeza estaria mentindo para vocês ou não... Porque na verdade, a vida é realmente maravilhosa, a gente só prefere prevalecer as coisas ruins dela. Mas eu poderia... Eu poderia muitas coisas, mas não gosto delas e é por isso que eu estou aqui, oferecendo para vocês o que eu me ofereci há um ano, Uma Carta de Amor para Você!

Você vai traçar seu próprio caminho, você vai ser o dono da sua vida e, ninguém vai te conhecer como você se conhece. Então não adianta ser politicamente correto, não adianta sentir inveja ou ciúmes de algo que você não tem, não adianta ligar para a opinião dos outros ou, simplesmente não ser você pois tem alguém que não te quer assim. Não é nenhum pouco errado você ter amor próprio, você se amar mais do que qualquer outro sentimento que você tenha por outra pessoa. Vamos parar de romantizar a dor, a única pessoa que tem que te aturar, é você! A sua aceitação sobre você mesma é a maior de todas, o resto é apenas o resto. Por isso eu desafio vocês a escreverem essa carta, eu desafio vocês a se questionarem, eu desafio vocês a entenderem sua alma, sua essência, o melhor e o pior de vocês. Espero que daqui a um ano, vocês tenham entendido o que eu entendi: Eu errei muito, vou errar muito, mas isso não pode ser um problema, contanto que eu esteja bem internamente, tão bem que eu possa transbordar o mundo com quem eu realmente sou.

Lembrem-se do que eu sempre escrevo: Talvez o sol não nasça como antes, mas talvez ele brilhe mais.
E ele brilhou, finalmente.

Feliz 2018!

Para vocês se inspirarem...


4 comentários:

  1. Fico feliz que vc ache seu caminho, todos passamos por transições e a maioria não é fácil.
    De qualquer forma estaremos juntas em 2018!
    E se eu te ver vou levar morangos pra vc... e vou te abraçar apertado só pra te irritar! essa é a função dos amigos :)

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    1. Essas transições são bem assustadoras, mas é sempre bom perceber o caminho que traçamos no final...
      Estaremos sim, quero muito te conhecer pessoalmente esse ano!
      BERRO! Vou ser um amor e vou querer isso tudo, o abraço e morango, principalmente se for do Mercadão de SP :)

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